segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Não é fácil ser sustentável. - Ricardo Rossin - Arq!Bacana

Olá pessoal!

Eu estive um pouco longe essas semanas, resolvendo alguns problemas, como o da minha moto por exemplo, mas estou de volta, e cheio de novidades.

Semana passada saiu no site Arq!Bacana, que hoje está sendo colocado na minha barra de endereços ao lado, um texto meu sobre sustentabilidade.

A convite do arquiteto, professor e bloggeiro Fernando Lara, do blog Parede de Meia (link ao lado), escrevi um texto sobre o Workshop que ministrei junto com a arquiteta Mirian Vaccari, na Universidade onde dou aulas.

O texto ficou bom, direto, e me deixou muito feliz em poder compartilhar um texto, em um site tão visitado na internet. A possibilidade de compartilhar temas importantes na arquitetura com tantas pessoas é super importante.

Abaixo, para quem não leu, segue o texto que foi publicado no site Arq!Bacana.

"Não é fácil ser Sustentável

Hoje em dia, ser sustentável é uma grife importante. Construtoras por todo o Brasil fazem o impossível para que seus empreendimentos recebam o tal “selo verde”. Firmas especializadas em certificações estão em alta no mercado de construção civil, pois tudo hoje para ser vendável precisa ser sustentável. Uma questão de sustentabilidade financeira.

Mas até que ponto “ser sustentável” norteia um bom projeto de arquitetura?

No universo das escolas de arquitetura, com o tema em voga, não é fácil explicar para o aluno o que é realmente a sustentabilidade.

Em um workshop que realizei com a colega arquiteta Mirian Vaccari na universidade onde dou aulas em São Paulo, coloquei a questão em pauta, e com base na dissertação dela de mestrado, discutimos algumas idéias relacionadas à sustentabilidade. Nossa intenção não era dizer que é quase impossível ser 100% sustentável, mas sim desmistificar que ser “verde” não é fácil, a questão é muito mais complexa do que imaginamos.

Como o tema do workshop era o uso do papelão, discutimos se essa matéria prima poderia ser considerada realmente sustentável, já que conhecemos inúmeras maneiras de utilizá-las na arquitetura.

O papelão é um material reciclável de ciclo fechado, ou seja, ele pode ser usado e depois reutilizado, mas não muitas vezes, já que suas fibras, depois de certo número de reutilizações, perdem a sua consistência.

Não é somente nesse ponto que o papelão tem seus problemas. Para que ele não sofra com as chuvas, é necessário um verniz para proteger suas fibras. Contra o fogo é a mesma coisa, o que o torna não reciclável após a sua aplicação. Será, então, que não vale à pena usar o papelão?

Um exemplo é que o gasto energético que teríamos para trocar toda a estrutura de uma casa feita de papelão a cada, mais ou menos 6 anos, por conta dos seus problemas, ainda assim seria mais benéfico ao meio ambiente do que a construção feita em alvenaria comum nas mesmas dimensões, por todo o gasto energético usado na concepção dos tijolos.

Outro exemplo foi o grande terremoto de 1995 em Kobe, no Japão, quando houve a necessidade da construção de abrigos temporários para as famílias que haviam perdido tudo na catástrofe. O arquiteto japonês Shigeru Ban projetou abrigos feitos de papelão, com fundação de caixas de cerveja, e teto de lona. Em poucas horas, 6 casas já haviam sido construídas, servindo como abrigo as intempéries e com um resultado estético satisfatório. O resultado não foi uma “construção verde”, e sim uma atitude social sustentável, onde o projeto da casa, feito com um material reciclável, com baixo custo e fácil montagem e desmontagem, supriu as necessidades momentâneas da população.

A sustentabilidade é um tema complexo de ser estudado, e mais complexo ainda quando ele se torna o único objetivo do projeto de arquitetura. O importante foi deixar claro que algumas atitudes podem tornar o seu projeto, ou você, mais ou menos sustentável."


Gostaram? Espero que sim!

Obrigado ao Fernando Lara, pela oportunidade, e a todo o pessoal do Arq!Bacana, pelo excelente site e iniciativa.

Saudações.

Rossin/SP

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